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SOMOS
DO FUTURO
Nos
últimos dez anos a agenda mundial tem estado
superlotada de temas relacionados às
mudanças climáticas globais. Sabe-se
que a terra sempre esteve em ciclos de
aquecimento e resfriamento, sustentados por fenômenos
naturais a exemplo do ciclo solar, variação El
Niño e La Niña, atividades oceânicas e vulcânicas,
entre outros. Além da elevação da temperatura
média da terra de 15oC para 15,7oC e do nível
médio do mar em cerca de 10 a 20 centímetros
desde o período pré-industrial, outros
indicadores não menos importantes como degelo
das calotas polares, redução das coberturas de
neve das montanhas, e verões extremamente
quentes, particularmente nas zonas muito
urbanizadas, indicam que estamos vivendo uma
fase de aquecimento.
Devido
a tais constatações, ganhou espaço a idéia
de que o homem tem sido o principal agente das
mudanças climáticas na medida em que a emissão
de gases do efeito estufa, principalmente o dióxido
de carbono, decorre das suas atividades mais
fundamentais, apesar do fato de ser ele responsável
pelo envio de apenas 3% deste gás. Aqui, cabe
um parêntese para destacar que os outros 97% são,
de forma geral, atribuídos aos oceanos, ao solo
e a vegetação.
É
fundamental saber se as mudanças climáticas
globais emanam de ações do homem ou da
natureza, arrazoam os especialistas que defendem
uma ou outra hipótese, apontando, de um lado as
enormes necessidades de proteção, recuperação
e conservação do meio ambiente e, do outro, de
se evitar os cenários catastróficos, por vezes
mercantilistas, ambas plausíveis do ponto de
vista científico. De tudo duas certezas,
considerando o nível de conhecimento atual, a
vida local é fortemente impactada pelas ações
do homem e a terra num curto prazo não entrará
em colapso.
Não
está em jogo, portanto, apenas pontos de vistas
acadêmicos ou pressões políticas de grupos
ambientalistas que querem adotar medidas
radicais de proteção, nem somente interesses
de alguns institutos de pesquisas em alargar
suas fontes de financiamentos, mas o medo, esse
nas suas diversas formas. O medo de perder a
liberdade de ir a qualquer lugar sem riscos de
um ambiente hostil; de perder os bens e o
conforto que as moradias litorâneas oferecem,
de deixar de existir.
É
bem verdade que as previsões de mudanças climáticas
padecem da falta de séries longas e
consistentes de dados e de modelos matemáticos
mais robustos e mais precisos. Em decorrência
disso, defendem uns, a baixa capacidade de
previsão para curto prazo descredencia, por
assim dizer, as previsões em escala secular ou
milenar que se façam a respeito de mudanças
climáticas, semeando o germe da desconfiança.
Mas todos convergem para um único pensamento: o
de que é imperativo cuidar do meio ambiente e
controlar as emissões de gases poluentes, em
qualquer das duas hipóteses, e não esperar a
confirmação definitiva sobre a origem das
mudanças climáticas, pois poderá não haver
mais tempo se não agir agora.
Basicamente,
as ações do homem são realizadas sob grande
influência de duas naturezas que o caracteriza,
ao mesmo tempo antagônicas e complementares,
uma que vislumbra sua transitoriedade e outra
que o faz acreditar ser ele um ser atemporal.
Uma executa o que a outra aponta e não muito
raro o homem se atrapalha nesse contínuo exercício
de sincronia que a vida demanda. O medo, por
exemplo, o estimula a fortalecer a fé, mas, em
vez disso, se embaraça e constrói templos; no
lugar de lar, ergue palácio. A destruição dos
recursos naturais é mais um dos equívocos que
comete tentando harmonizar sua dupla natureza,
promovendo o desenvolvimento à custa de enormes
prejuízos ambientais até pouco tempo de
efeitos imperceptíveis, ao menos na imprecisa
visão do homem sobre o futuro.
As
condições atuais do meio ambiente, em grande
parte, são resultantes das decisões do
passado. Poderá haver futuro no futuro se a visão
de hoje assim o permitir. O homem é arrastado
pelo futuro e pode no efêmero presente escolher
fazer alguma diferença.
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