PARQUES
FLUVIAIS
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(Carlos
Minc, O Globo, Opinião, 30/10/07, pág.7)
O
Parque Fluvial é uma construção socioambiental que aporta
um novo olhar sobre a defesa dos rios. Estes sofrem processo
de degradação, margens ocupadas por habitações precárias,
desmatamento, lixões, areais, lançamento de esgoto doméstico
e industrial. Essas agressões provocam assoreamento e poluição
dos corpos hídricos, destroem as matas ciliares, tornando o
tratamento da água para abastecimento mais caro e complexo,
com uso crescente de produtos químicos, como o cloro e o
sulfato de alumínio, e a conta é paga pelo contribuinte.
O
Parque Fluvial está assentado nas seguintes premissas básicas,
segundo Minc:
1
– criar áreas de preservação ao longo das margens dos
rios;
2
– fortalecer os comitês de bacias com participação da
sociedade civil;
3
– formular planos de reflorestamento, educação e gestão
ambiental;
4
– envolver as prefeituras e empresas privadas, garantindo
terras e recursos; e
5
– planejar a manutenção das espécies plantadas por 4
anos, no mínimo.
O
Rio de Janeiro (onde C.Minc é o secretário do Meio
Ambiente) pretende implantar dez (10) parques fluviais em
quatro anos. O primeiro deles é o P.F.do Guandu, com um
milhão de árvores, que começaram a ser plantadas em
setembro, com o apoio do Comitê de Bacia do Guandu e apoio
da Vale do Rio Doce e da Petrobrás, com orientação do IEF
(Instituto Estadual de Florestas) e da UFRRJ (Rural do Rio)
e uso do trabalho de detentos. O Guandu abastece nove milhões
de pessoas, suas águas estão menos volumosas e mais poluídas,
e os custos da ETA (a maior do mundo) atingem R$18 milhões/ano.
O 2o. será o P.F.do Macacu, com o plantio de dois milhões
de árvores, numa parceria com a Cedae e Águas de Niterói.
Outros parques serão implantados no Rio Estrela (Petrópolis-RJ)
e no Rio Piabanha (São João da Barra-RJ).
A
meta é plantar 20 milhões de espécies nativas em 4 anos,
recompondo a biodiversidade, aumentar a vazão melhorando
sua qualidade e capturar milhões de toneladas de emissões
de carbono, dobrando a área protegida no estado. Essa
proposta arrojada depende da educação ambiental, das
parcerias com as empresas privadas (PPPs Ambientais), da
manutenção e da continuidade. É um projeto da área
ambiental do governo do Rio que o Ministério do Meio
Ambiente pretende adotar para o país, pois seus 3 objetivos
(água, biodiversidade e clima) são prioridades nacionais.
A
FALTA QUE FAZ A BIOLOGIA
Louvável
que um plano governamental contemple um dos recursos
naturais mais esquecidos nas últimas décadas: os rios. Mas
volte para reler as premissas básicas dos Parques Fluviais
e veja que, de concreto, elas se baseiam apenas no
reflorestamento. É claro que esta atividade é uma das mais
importantes na revitalização de um rio; mas não deveria
vir sozinha. Vou dar um exemplo para justificar minha linha
de raciocínio.
O
caderno TIJUCA de O Globo do dia 25/10/07, pág.12, trás um
artigo intitulado Monitorar água de rio faz parte do aprendizado. Diz que na
Escola Parque, na Gávea (Zona Sul do Rio de Janeiro-RJ), as
turmas do 7o. ano iniciaram ano passado um projeto sobre o
Rio Rainha, que corta a sede da escola. Durante um semestre
eles coletaram amostras de água em três diferentes pontos
e as encaminharam ao laboratório de microbiologia ambiental
da Pontifícia Universidade Católica – PUC, onde foram
feitas análises de qualidade. Com as informações, os
alunos desenvolveram relatórios e apresentações
em Power Point
, descrevendo o estado de degradação do rio, as fontes
poluidoras e os impactos e conseqüências da poluição.
Note
que a ênfase, aqui, foi para a análise química da água.
Nada contra. A não ser que, modernamente, os estudos biológicos
dos cursos d´água vêm tomando grande impulso, ao ponto da
Embrapa ter criado uma unidade específica na Região
Sudeste.
[http://www.cnpma.embrapa.br/]
Não
bastasse isso, a Fiocruz (com sede no Rio de Janeiro-RJ) é
uma das instituições brasileiras com maior experiência no
estudos dos invertebrados aquáticos como bio-indicadores de
poluição dos nossos rios.