Home  | Artigos  |  Os Livros  |  Frases e Citações   |  Sugestão de Sites  |Eventos | Perfil  | Contatos  | Parceiros  | 

 

 
Laudízio da Silva Diniz
Laudízio da Silva Diniz é engenheiro civil pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mestre em Engenharia Civil também pela UFPB e doutorando pela IPH (Instituto de Pesquisa Hídrica do Rio Grande do Sul) em Gestão de Recursos Hídricos. Laudízio é Diretor de Acompanhamento e Controle da AESA (Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba).
 
 

 

SOMOS DO FUTURO

Nos últimos dez anos a agenda mundial tem estado superlotada de temas relacionados às   mudanças climáticas globais. Sabe-se que a terra sempre esteve em ciclos de aquecimento e resfriamento, sustentados por fenômenos naturais a exemplo do ciclo solar, variação El Niño e La Niña, atividades oceânicas e vulcânicas, entre outros. Além da elevação da temperatura média da terra de 15oC para 15,7oC e do nível médio do mar em cerca de 10 a 20 centímetros desde o período pré-industrial, outros indicadores não menos importantes como degelo das calotas polares, redução das coberturas de neve das montanhas, e verões extremamente quentes, particularmente nas zonas muito urbanizadas, indicam que estamos vivendo uma fase de aquecimento.

Devido a tais constatações, ganhou espaço a idéia de que o homem tem sido o principal agente das mudanças climáticas na medida em que a emissão de gases do efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono, decorre das suas atividades mais fundamentais, apesar do fato de ser ele responsável pelo envio de apenas 3% deste gás. Aqui, cabe um parêntese para destacar que os outros 97% são, de forma geral, atribuídos aos oceanos, ao solo e a vegetação.

É fundamental saber se as mudanças climáticas globais emanam de ações do homem ou da natureza, arrazoam os especialistas que defendem uma ou outra hipótese, apontando, de um lado as enormes necessidades de proteção, recuperação e conservação do meio ambiente e, do outro, de se evitar os cenários catastróficos, por vezes mercantilistas, ambas plausíveis do ponto de vista científico. De tudo duas certezas, considerando o nível de conhecimento atual, a vida local é fortemente impactada pelas ações do homem e a terra num curto prazo não entrará em colapso.

Não está em jogo, portanto, apenas pontos de vistas acadêmicos ou pressões políticas de grupos ambientalistas que querem adotar medidas radicais de proteção, nem somente interesses de alguns institutos de pesquisas em alargar suas fontes de financiamentos, mas o medo, esse nas suas diversas formas. O medo de perder a liberdade de ir a qualquer lugar sem riscos de um ambiente hostil; de perder os bens e o conforto que as moradias litorâneas oferecem, de deixar de existir.

É bem verdade que as previsões de mudanças climáticas padecem da falta de séries longas e consistentes de dados e de modelos matemáticos mais robustos e mais precisos. Em decorrência disso, defendem uns, a baixa capacidade de previsão para curto prazo descredencia, por assim dizer, as previsões em escala secular ou milenar que se façam a respeito de mudanças climáticas, semeando o germe da desconfiança. Mas todos convergem para um único pensamento: o de que é imperativo cuidar do meio ambiente e controlar as emissões de gases poluentes, em qualquer das duas hipóteses, e não esperar a confirmação definitiva sobre a origem das mudanças climáticas, pois poderá não haver mais tempo se não agir agora.

Basicamente, as ações do homem são realizadas sob grande influência de duas naturezas que o caracteriza, ao mesmo tempo antagônicas e complementares, uma que vislumbra sua transitoriedade e outra que o faz acreditar ser ele um ser atemporal. Uma executa o que a outra aponta e não muito raro o homem se atrapalha nesse contínuo exercício de sincronia que a vida demanda. O medo, por exemplo, o estimula a fortalecer a fé, mas, em vez disso, se embaraça e constrói templos; no lugar de lar, ergue palácio. A destruição dos recursos naturais é mais um dos equívocos que comete tentando harmonizar sua dupla natureza, promovendo o desenvolvimento à custa de enormes prejuízos ambientais até pouco tempo de efeitos imperceptíveis, ao menos na imprecisa visão do homem sobre o futuro.

As condições atuais do meio ambiente, em grande parte, são resultantes das decisões do passado. Poderá haver futuro no futuro se a visão de hoje assim o permitir. O homem é arrastado pelo futuro e pode no efêmero presente escolher fazer alguma diferença.

 


Fonte:http://www.paraiba.com.br/colunistas/verColuna.shtml?76&coluna=777

 

Copyright PEDRO SEVERINO. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita de PEDRO SEVERINO Online.